Capital baiana ganha centro de combate ao racismo

  
O objetivo do projeto é oferecer serviços às pessoas que sofreram discriminação e auxiliá-las no percurso legal até que o crime seja punido.
Segundo a coordenadora da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, Lilian Rosa, o foco da iniciativa é prover assistência jurídica. "As pessoas carecem desse atendimento", disse.
O centro - que funciona das 8h às 12h e das 14h às 16h - oferece ainda auxílio psicológico, pedagógico, sociológico e de serviço social. Ao todo, 17 profissionais integram o espaço.
"Também realizaremos um trabalho de qualificação, sensibilização e formação com as pessoas da rede", afirmou a psicóloga Valdísia da Mata.

Justiça

A  inauguração contou com a presença da ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Durante o evento, ela ressaltou a importância da criação do centro para incentivar as denúncias ao racismo.
"Fica cada vez mais claro para o Brasil o que significam as políticas de promoção da igualdade racial, que agora ganham a dimensão de serviço. É preciso que a população saiba que existe o centro para apoiá-la", disse.
A ministra criticou ainda a atuação do poder Judiciário no enfrentamento à discriminação racial e religiosa, por considerar que muitos juízes não estão preparados para identificar tais situações.
"São muitos os obstáculos do Judiciário. Cerca de 60% dos casos são julgados como improcedentes", destacou.
Já a ex-vereadora Olívia Santana comparou o papel do centro ao da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, cuja estrutura especializada contribuiu para que mais mulheres se sentissem suficientemente apoiadas para denunciar a violência.
"É muito mais difícil prestar uma queixa de racismo para um delegado branco, para um promotor branco, do que conseguir apoio aqui no centro. O racismo é histórico, mas as políticas públicas só estão se formando agora", disse.
Homenagem
Também presente no evento de inauguração, o governador Jaques Wagner aproveitou para lembrar o legado do líder sul-africano Nelson Mandela, morto no último dia 5, e cujo nome batizou o centro.
"Não há forma melhor de homenageá-lo do que na luta que ele perseverou por toda a vida. Afinal, a gente vê tanta coisa nesse estado batizada com o nome de gente que nem tanta contribuição deu", disse o governador.

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